Figuras de Linguagem + Questões dos últimos vestibulares da UERJ

5 jun

Figuras de Linguagem

O que são figuras de linguagem? São recursos que tornam a mensagem emitida mais expressiva. A literatura utiliza MUITO as figuras de linguagem. As figuras de linguagem são divididas em figuras de som, figuras de palavras, figuras de pensamento e figuras de construção.

 Figura de palavra: Substituição de uma palavra por outra.

 Figura de pensamento: Recurso que se refere ao aspecto semântico das palavras.

 Figura de som: Efeito produzido pela repetição de palavras ou imitação do som de outros seres.

 Figura de Construção: Também chamadas de figuras de sintaxe, são desvios, inversões, na busca de maior expressividade.

FIGURAS DE PALAVRA

• Metáfora: Usa uma palavra ou expressão no lugar de outra. A metáfora tem um caráter subjetivo.

Ex.: Você é luz, é raio, estrela e luar…

• Comparação: A comparação é parecida com a metáfora, porém utiliza conectivo comparativo (como).

Ex.: Amou daquela vez como se fosse máquina(…)

• Metonímia: Substituição da parte pelo todo ou empregar um termo no lugar do outro, havendo uma proximidade entre ambos os termos.

Ex.: Devolva o Neruda que você me tomou e nunca leu.

PS: A Sinédoque é a substituição de um termo por outro, ampliando ou reduzindo o sentido da palavra. A Metonímia prevalece por ser mais abrangente.

• Catacrese: Catacrese é uma “metáfora desgastada”, são palavras utilizadas por falta de termo específico.

Ex.: Batata da perna, maçã do rosto, pé da mesa, braço da poltrona, cabeça de alho

• Sinestesia: Sensações diferentes em uma mesma expressão. Mistura de sentidos.

Ex.: Ele escutou sua doce voz.

• Antonomásia: Definir algo por sua qualidade ou característica especial. Apelidos também podem ser uma antonomásia. Antonomásia é usada para pessoas.

Ex.: O poeta dos escravos morreu jovem .

• Perífrase: Segue o mesmo conceito da antonomásia, mas é utilizada para animais e lugares.

Ex.: Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil.

FIGURAS DE PENSAMENTO

• Antítese: Aproximação de palavras com sentidos opostos.

Ex.: Meu corpo é quente e estou sentindo frio.

• Apóstrofe: Invocação de algo.

Ex.: Deus! Oh Deus! Onde está que não responde?

• Paradoxo: Não é apenas uma aproximação de palavras com sentidos opostos, mas ideias contraditórias que se referem a um mesmo termo.

Ex.: Dor que desatina sem doer.

• Eufemismo: Emprega uma palavra para atenuar a verdade.

Ex.: Você faltou com a verdade.

Ele entregou a alma a Deus.

• Gradação: Sequência de palavras que intensificam a mesma ideia.

Ex.: O trigo… nasceu, cresceu, espinhou, amadureceu,colheu-se…

• Hipérbole: Exagero de uma idéia.

Ex.: Eu nunca mais vou respirar/ se você não me notar

• Ironia: Quando pela entonação, contexto, sugere-se que o que se pretende dizer é ao contrário do que foi dito.

Ex.: Que alunos inteligentes, não sabem escrever o próprio nome.

• Prosopopéia (Personificação): Quando se dá características humanas a seres inanimados.

Ex.: O vento beija os meus cabelos/ as ondas lambem as minhas pernas/ o sol abraça o meu corpo/ meu coração canta feliz.

FIGURAS DE SOM

• Aliteração: Repetição da mesma consoante (ou consoantes similares), em geral, na posição inicial da palavra.

Ex.: A tontinha tenta tirar a tinta.

• Assonância: Repetição da mesma vogal ao longo dos versos.

Ex.: Sou Ana, da cama/ da cana, fulana, bacana.

• Paronomásia: Reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.

Ex.: Quero que você ganhe/ que você me apanhe.

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO

Por omissão

• Assíndeto: Orações que deveriam vir ligadas por conjunções, mas são separadas por vírgula.

Ex.: Li o jornal, queria sair.

• Elipse: supressão se uma palavra que fica subentendida.

Ex.: Me espera amor/ eu tô chegando/ depois do inverno,/ a vida em cores.

• Zeugma: Quando há a supressão de um termo já referido anteriormente.

Ex.: Hoje eu acordei com uma vontade danada/ de mandar flores ao delegado/ de bater na porta do vizinho e desejar bom dia/ de beijar o português da padaria.

Por repetição

• Anáfora: Repetição intencional de palavras no início de um período.

Ex.: Será só imaginação?/ Será que nada vai acontecer?/ Será que é tudo isso em vão?

• Pleonasmo: Repetição da mesma idéia, redundância.

Ex.: Eu nasci, há dez mil anos atrás.

• Polissíndeto: Repetição enfática de uma conjunção.

Ex.: Há dois dias meu telefone não fala, nem ouve, nem toca, nem tuge, nem muge.

Por inversão:

• Anástrofe: Inversão de palavras vizinhas.

Ex.: E dou risada pro grande amor.

• Hiperbáto: Inversão completa de partes da frase.

Ex.: Bate outra vez/ com esperança o meu coração.

• Sínquise: Hiperbáto exagerado. Uma inversão violenta de termos da frase.

Ex.: A gritas e alevanta ao Céu.

• Hipálage: Inversão da posição do adjetivo. Uma qualidade que pertence a um adjetivo é atribuído a outro.

Ex.: Faziam meias sonolentas

Por ruptura

• Anacoluto: Interrupção do plano sintático.

Ex.: Maria creio que saiu hoje.

Por concordância ideológica

• Silepse: Concordância é feita com a idéia e não com as palavras.

– Silepse de gênero: Discordância entre gêneros.

Ex.: Porto Alegre é linda.

– Silepse de número: Discordância envolvendo singular e plural.

Ex.: Corria gente de todos lados, e gritavam.

– Silepse de pessoa: Discordância entre sujeito e pessoa verbal.

Ex.: Todos desse bairro somos contra a violência.

QUESTÕES SOBRE FIGURAS DE LINGUAGEM

RETIRADAS DE PROVAS ANTERIORES DA UERJ

1. (UERJ 2007)

“Não tardaria muito que saíssem formados e prontos, um para defender o direito e o torto

da gente, outro para ajudá-la a viver e a morrer.” (l. 3 – 6)

Na passagem destacada, foram explorados diferentes recursos retóricos. Dois desses recursos podem ser identificados como:

(A) metonímia e metáfora

(B) antítese e pleonasmo

(C) paradoxo e ironia

(D) anáfora e alusão

Leia o texto para responder as próximas questões.

Qualquer Canção

Qualquer canção de amor

É uma canção de amor

Não faz brotar amor

E amantes

Porém, se essa canção

Nos toca o coração

O amor brota melhor

E antes

Qualquer canção de dor

Não basta a um sofredor

Nem cerze um coração

Rasgado

Porém, inda é melhor

Sofrer em dó menor

Do que você sofrer

Calado

Qualquer canção de bem

Algum mistério tem

É o grão, é o germe, é o gen

Da chama

E essa canção também

Corrói como convém

O coração de quem

Não ama

(CHICO BUARQUE)

2. (UERJ 2008) A pluralidade de sentidos, característica da linguagem poética, pode ser obtida por meio de vários mecanismos, como, por exemplo, a elipse de termos. Esse mecanismo está presente, de modo mais marcante, no seguinte verso:

(A) “E amantes” (v. 4)

(B) “E antes” (v. 8)

(C) “Rasgado” (v. 12)

(D) “Calado” (v. 16)

3. (UERJ 2008) Na última estrofe do texto, o mistério a que se refere o eu lírico indica uma construção paradoxal.Os elementos que compõem esse paradoxo são:

(A) início e fim

(B) alegria e dor

(C) música e silêncio

(D) criação e destruição

4. (UERJ 208) O processo de personificação é um recurso utilizado no texto para humanizar a narrativa e cativar o leitor. Um exemplo de personificação aparece no seguinte fragmento:

(A) “Passar cinqüenta anos sem poder falar sua língua com alguém é um exílio agudo dentro do silêncio.”

(B) “E como as folhas não falavam, punha-se a ler em voz alta, fingindo ouvir na própria voz a voz do outro,”

(C) “Cinqüenta anos olhando as planuras dos pampas, acostumado já às carnes generosas dos churrascos

conversados em espanhol”

(D) “Era agora um homem inteiro. Tinha, enfim, nos lábios toda a canção.”

5. (UERJ 2008) Figuras de linguagem – por meio dos mais diferentes mecanismos – ampliam o significado de palavras e expressões, conferindo novos sentidos ao texto em que são usadas. A alternativa que apresenta uma figura de linguagem construída a partir da equivalência entre um todo e uma de suas partes é:

(A) “que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se movendo na penumbra como dentro de um sonho?”

(B) “Entretanto a cidade, que durante uns dois ou três dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar.”

(C) “batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro.”

(D) “Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também minha fraqueza;”

6. (UERJ 2010) “Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se

no ar constelado de problemas.”

O estranhamento provocado no verso sublinhado constitui um caso de:

(A) pleonasmo

(B) metonímia

(C) hipérbole

(D) metáfora

7. (UERJ 2004) A construção poética do discurso baseia-se freqüentemente na utilização de figuras de linguagem,como a metonímia. O poeta recorreu a esta figura em:

(A) “Ah, os rostos sentados”

(B) “Os retratos em cor, na parede,”

(C) “que exerceram (…) o manso ofício”

(D) “de fazer esperar com esperança.”

Leia o texto para responder a próxima questão.

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não têm pouso

nem porto

alimentam-se um instante em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti…

(MÁRIO QUINTANA)

8. (UERJ 2011) O texto é todo construído por meio do emprego de uma figura de estilo. Essa figura denominada de:

(A) elipse

(B) metáfora

(C) metonímia

(D) personificação

9. (UERJ 2011) “Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar”

Na sentença acima, o processo metafórico se concentra no verbo “descascar”. No contexto, a metáfora expressa em “descascar” tem o seguinte significado:

(A) reduzir

(B) denunciar

(C) argumentar

(D) compreender

Leia o texto para responder a questão a seguir.

Silogismo

Um salário-mínimo maior do que o que vão dar desarrumaria as contas públicas, comprometeria o programa de estabilização do Governo, quebraria a Previdência, inviabilizaria o país e provavelmente desmancharia o penteado do Malan. Quem prega um salário-mínimo maior o faz por demagogia, oportunismo político ou desinformação. Sérios, sensatos, adultos e responsáveis são os que defendem o reajuste possível, nas circunstâncias, mesmo reconhecendo que é pouco.

Como boa parte da população brasileira vive de um mínimo que não dá para viver e as circunstâncias que o impedem de ser maior não vão mudar tão cedo, eis-nos num silogismo bárbaro: se o país só sobrevive com mais da metade da sua população condenada a uma subvida perpétua, estamos todos condenados a uma lógica do absurdo. Aqui o sério é temerário, o sensato é insensato, o adulto é irreal e o responsável é criminoso. A nossa estabilidade e o nosso

prestígio com a comunidade financeira internacional se devem à tenacidade com que homens honrados e capazes, resistindo a apelos emocionais, mantêm uma política econômica solidamente fundeada na miséria alheia e uma admirável coerência baseada na fome dos outros. O país só é viável se metade da sua população não for. (…)

(LUÍS FERNANDO VERISSÍMO)

10. (UERJ 2001) O texto apresenta um ponto de vista crítico, construído, dentre outros, pelo recurso da ironia. A qualidade que constitui uma ironia, no texto, é:

(A) “político” (linha 03)

(B) “perpétua” (linha 08)

(C) “emocionais” (linha 11)

(D) “admirável” (linha 12)

11. (UERJ 2001) A linguagem figurada, conhecida característica de textos literários, encontra-se também em outros tipos de texto. Verifica-se um exemplo de metonímia no seguinte fragmento da reportagem:

(A) “… apresenta danças e ritos, mostra arcos, flechas…”

(B) “… expõem a cultura indígena, mas de maneira muito romântica…”

(C) “… uma programação alternativa está deixando de lado a caravela…”

(D) “…e deixar uma semente para que o contato com a cultura indígena continue…”

12. (UERJ 2006)As comparações, ao destacarem semelhanças e diferenças entre elementos colocados lado a lado, funcionam como estratégias por meio das quais se ressaltam determinados pontos de vista. Uma comparação está indicada no seguinte fragmento:

(A) “Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41.”

(B) “caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.”

(C) “e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio.”

(D) “deixei-lhe um troco generoso.”

13. (UERJ 2006)A crônica de Carlos Heitor Cony é uma crítica à hierarquia econômico-social que prevalece em nossa sociedade. O ponto de vista do narrador sobre essa hierarquia está exemplificado por meio de metáfora em:

(A) “Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti.”

(B) “Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor,”

(C) “Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa.

(D) “por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão.”

Gabarito: 1-c 2-b 3-d 4-c 5-b 6-d 7-a 8-b 9-d 10-d 11-c 12-c 13-a

8 Respostas to “Figuras de Linguagem + Questões dos últimos vestibulares da UERJ”

  1. Siméia de Brito 5 de junho de 2011 às 21:42 #

    Gostei muito Professora

  2. Vitória 1 de julho de 2011 às 0:38 #

    Parabéns!Ficou excelente!Me ajudou muito

  3. Rachel 8 de junho de 2012 às 4:01 #

    Adorei.
    Me ajudou muito.

  4. Anna Carolina Silva 4 de agosto de 2012 às 3:16 #

    Nossa muito legal mesmo . está me ajudando bastante em . Obrigada se poder colocar mais coisas sobre a uerj eu agradeceria muito

  5. ju 19 de agosto de 2012 às 19:33 #

    Obrigada, muito útil!

  6. Douglas 15 de março de 2013 às 16:11 #

    Parabéns pelo blog. Fico feliz em ver professores que realmente querem alunos em universidades. obrigado

  7. Amanda 27 de março de 2014 às 22:16 #

    Muito obrigada!

  8. Isa 9 de junho de 2015 às 23:17 #

    Acredito que a última questão esteja com erro de gabarito, fui ao site da UERJ e verifiquei que a resposta correta da questão 13 seria a letra D.
    Obrigada!

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