Prova de Língua Portuguesa–FAETEC 2012.1 com gabarito

3 nov

Para os que vão tentar a FAETEC esse ano, vale a pena tentar fazer as provas anteriores. Isso, na verdade, vale para qualquer concurso.

Faça as questões, sem olhar o gabarito e depois da correção, retorne às questões que você errou, buscando suas dificuldades.

Para quem ainda não se inscreveu, veja mais informações sobre o concurso a seguir:

PROVA: LÍNGUA PORTUGUESA
TEXTO – O MOTORISTA DO 8-100
Rubem Braga
Tem o Correio da Manhã um repórter que faz, todo domingo,
uma página inteira de tristezas. Vive montado em um velho
carro, a que chama de “Gerico”; a palavra, hoje, parece que se
escreve com “J”; de qualquer jeito (que sempre achei mais jeitoso
quando se escrevia com “g”) é um carro paciente e rústico, duro e
invencível como um velho jumento. E tinha de sê-lo, pois sua
missão é ir ver ruas esburacadas e outras misérias assim.
Pois esse colega foi convidado, outro dia, a ver uma coisa
bela. Que estivesse pela manhã bem cedo junto ao edifício Brasília
(o último da Avenida Rio Branco, perto do Obelisco) para assistir
à coleta de lixo. Foi. Viu chegar o caminhão 8-100 da Limpeza
Urbana, e saltarem os ajudantes, que se puseram a carregar e
despejar as latas de lixo. Enquanto isso, que fazia o motorista? O
mesmo de toda manhã. Pegava um espanador e um pedaço de
flanela, e fazia o seu carro ficar rebrilhando de limpeza. Esse
motorista é “um senhor já, estatura mediana, cheio de corpo,
claudicando da perna direita; não ficamos sabendo seu nome”.
Não poupa o bom repórter elogios a esse humilde servidor
municipal. E sua nota feita com certa emoção e muita justeza
mostra que ele não apenas sabe reportar as coisas da rua como
também as coisas da alma.
Cada um de nós tem, na memória da vida que vai sobrando,
seu caminhão de lixo que só um dia despejaremos na escuridão da
morte. Grande parte do que vamos coletando pelas ruas tão desiguais
da existência é apenas lixo; dentro dele é que levamos a joia
de uma palavra preciosa, o diamante de um gesto puro.
É boa a lição que nos dá o velho motorista manco; e há, nessa
lição, um alto e silencioso protesto. Não conheço este homem,
nem sei que infância teve, que sonhos lhe encheram a cabeça de
rapaz. Talvez na adolescência ele sucumbisse a uma tristeza sem
remédio se uma cigana cruel lhe mostrasse um retrato de sua
velhice: gordo, manco, a parar de porta em porta um caminhão de
lixo. Talvez ele estremecesse da mais alegre esperança se uma
cigana generosa e imprecisa lhe contasse: “Vejo-o guiando um
grande carro na Avenida Rio Branco; para diante de um edifício de
luxo; o carro é novo, muito polido, reluzente…”.
É costume dizer que a esperança é a última que morre. Nisto
está uma das crueldades da vida: a esperança sobrevive à custa de
mutilações. Vai minguando e secando devagar, se despedindo dos
pedaços de si mesma, se apequenando e empobrecendo, e no fim
é tão mesquinha e despojada que se reduz ao mais elementar
instinto de sobrevivência. O homem se revolta jogando sua esperança
para além da barreira escura da morte, no reino luminoso
que uma crença lhe promete, ou enfrenta, calado e só, a ruína de si
mesmo, até o minuto em que deixa de esperar mais um instante de
vida e espera como o bem supremo o sossego da morte. Depois de
certas agonias a feição do morto parece dizer: “enfim veio; enfim,
desta vez não me enganaram”.
Esse motorista, que limpa seu caminhão, não é um conformado,
é o herói silencioso que lança um protesto superior. A vida
o obrigou a catar lixo e imundície; ele aceita a sua missão, mas a
supera com esse protesto de beleza e de dignidade. Muitos recebem
com a mão suja os bens mais excitantes e tentadores da vida;
e as flores que vão colhendo no jardim de uma existência fácil logo
têm, presas em seus dedos frios, uma sutil tristeza e corrupção,
que as desmerece e avilta. O motorista do caminhão 8-100 parece
dizer aos homens da cidade: “O lixo é vosso: meus são estes
metais que brilham, meus são estes vidros que esplendem, minha
é esta consciência limpa.” (1949)

01. A forma de escrever o primeiro período do texto que certamente
evitaria o emprego de qualquer vírgula é:
A) O Correio da Manhã tem um repórter que todo domingo
faz uma página inteira de tristezas.
B) O Correio da Manhã todo domingo tem um repórter
que faz uma página inteira de tristezas.
C) Tem o Correio da Manhã um repórter que faz uma
página inteira de tristezas todo domingo.

D) Tem o Correio da Manhã todo domingo um repórter
que faz uma página inteira de tristezas.
E) Tem todo domingo o Correio da Manhã um repórter
que faz uma página inteira de tristezas.

02. Tristeza é um vocábulo grafado com Z por ser um substantivo
abstrato derivado do adjetivo triste. O vocábulo abaixo
que NÃO demonstra essa mesma regra ortográfica é:
A) delicadeza.
B) destreza.
C) riqueza.
D) proeza.
E) certeza.

03. Na frase “Vive montado em um velho carro…”, o verbo
viver denota:
A) estado transitório.
B) estado permanente.
C) mudança de estado.
D) aparência de estado.
E) continuidade de estado.

04. “…a palavra, hoje, parece que se escreve com “J”; de qualquer
jeito (que sempre achei mais jeitoso quando se escrevia com
“g”)…”. Inferem-se desse segmento uma série de informações.
Entre as que estão abaixo, a única inferência INCABÍVEL é:
A) o aspecto afetivo pode interferir na grafia.
B) alguns vocábulos mudam de grafia com o tempo.
C) a palavra citada, anteriormente, se grafava com “g”.
D) o cronista, aparentemente, não domina a grafia das
palavras.
E) as mudanças ortográficas interferem com a pronúncia
das palavras.

05. O carro do jornalista é comparado a um jumento e a base
dessa comparação é:
A) a dureza e a velhice.
B) a pobreza e a paciência.
C) a velhice e a rusticidade.
D) a rusticidade e a pobreza.
E) a paciência e a resistência.

06. Ao colocar um pequeno segmento entre parênteses no primeiro
parágrafo do texto – que sempre achei mais jeitoso quando se
escrevia com “g” – , o cronista pretende mostrá-lo como:
A) um comentário paralelo de tema externo ao texto.
B) um acréscimo de informação sobre o carro do jornalista.
C) uma crítica às mudanças ortográficas que ora se realizam.
D) um destaque de uma informação importante para o
conteúdo do texto.
E) uma ironia sobre os que dominam aspectos
desimportantes do idioma.

07. “E tinha de sê-lo,…”. A forma pronominal LO, nesse segmento
do texto, substitui:
A) duro e invencível.
B) paciente e rústico.
C) um velho jumento.
D) como um velho jumento.
E) paciente e rústico, duro e invencível como um velho jumento.

08. No início do segundo parágrafo, o termo “coisa bela” opõese
ao seguinte termo anterior:
A) ruas esburacadas e outras misérias.
B) velho jumento.
C) página inteira.
D) velho carro.
E) tristezas.

09. As palavras colocadas entre parênteses no segundo parágrafo
do texto funcionam como:
A) uma justificativa de algo que foi dito.
B) uma explicação de um termo anterior.
C) uma retificação de um erro anterior.
D) uma crítica a algo já expresso.
E) uma enumeração de dados.

10. “Esse motorista é ‘um senhor já, estatura mediana, cheio de
corpo, claudicando da perna direita; não ficamos sabendo
seu nome’ ”. Esse segmento do texto pertence ao seguinte
gênero:
A) conversacional.
B) argumentativo.
C) expositivo.
D) descritivo.
E) narrativo.

11. “O motorista do carro 8-100, segundo o texto, fazia, nesse
dia, o mesmo de toda manhã”. Isso significa que esse motorista:
A) fazia a mesma tarefa toda a manhã.
B) fazia a mesma coisa durante todo o dia.
C) executava a mesma tarefa todos os dias de trabalho.
D) realizava o mesmo trabalho somente durante a manhã.
E) cumpria o seu dever durante todo o horário de trabalho.

12. “Não poupa o bom repórter elogios a esse humilde servidor
municipal”. A forma de reescrever-se essa frase que altera o
seu sentido original é:
A) Elogios a esse humilde servidor municipal não são
poupados pelo bom repórter.
B) O humilde servidor municipal é poupado de elogios
pelo bom repórter.

C) Não poupa elogios a esse humilde servidor municipal
o bom repórter.
D) O bom repórter não poupa elogios a esse humilde servidor
municipal.
E) A esse humilde servidor municipal o bom repórter não poupa
elogios.

13. “ele não apenas sabe reportar as coisas da rua como também
as coisas da alma”. A maneira de reescrever essa frase que
conserva o significado original é:
A) Ele sabe reportar as coisas da rua apesar de não saber
reportar as coisas da alma.
B) Ele não sabe reportar as coisas da rua do mesmo modo
que faz com as da alma.
C) Ele sabe reportar as coisas da rua à proporção que reporta
as coisas da alma.
D) Ele sabe reportar as coisas da rua além de saber reportar
as coisas da alma.

E) Ele sabe reportar as coisas da rua embora saiba também
as coisas da alma.

14. Segundo o final do texto, o motorista do 8-100 é digno de:
A) pena.
B) repulsa.
C) antipatia.
D) admiração.
E) compreensão.

15. “Cada um de nós tem, na memória da vida que vai sobrando,
seu caminhão de lixo que só um dia despejaremos na escuridão
da morte. Grande parte do que vamos coletando pelas
ruas tão desiguais da existência é apenas lixo; dentro dele é
que levamos a joia de uma palavra preciosa, o diamante de
um gesto puro”.
Nesse parágrafo do texto há um conjunto de comparações
entre o fato narrado e a vida de cada um dos leitores. A comparação
INADEQUADA é:
A) as ruas desiguais = os locais que cada um conhece.
B) caminhão de lixo = lembranças da vida vivida.
C) o trabalho com o lixo = a vida de cada um.
D) lixo = as experiências da vida.
E) aterro sanitário = a morte.

16. O segmento do texto em que NÃO aparece um substantivo
qualificado por dois adjetivos é:
A) “…um carro paciente e rústico…”.
B) “…os bens mais excitantes e tentadores da vida;…”.
C) “É boa a lição que nos dá o velho motorista manco”.
D) “…se uma cigana generosa e imprecisa lhe contasse…”.
E) “…levamos a joia de uma palavra preciosa, o diamante
de um gesto puro”.

17. “…e há, nessa lição, um alto e silencioso protesto”. Nessa
frase, na qualificação do substantivo protesto há:
A) uma total falta de coerência.
B) uma contradição sem sentido.
C) uma oposição de incoerência aparente.
D) um exemplo de polissemia do termo alto.
E) um exemplo de mau emprego de adjetivos.

18. “Vejo-o guiando um grande carro na Avenida Rio Branco;
para diante de um edifício de luxo; o carro é novo, muito
polido, reluzente…”.
As hipotéticas palavras da cigana, no contexto, devem ser
consideradas:
A) sábias.
B) precisas.
C) honestas.
D) enganosas.
E) desanimadoras.

19. A crônica lida se estrutura da seguinte forma:
A) parte de um fato vivido por um motorista para fazer
uma retrospectiva de sua própria vida.
B) a partir de uma pequena narrativa alheia faz uma
crítica violenta às religiões e aos adivinhos.
C) sai de um acontecimento relativamente comum para
comentários filosóficos sobre o valor da vida humana.
D) com base numa reportagem sobre um personagem
humilde, mostra a diferença social entre as classes.
E) a partir de uma reportagem de jornal enumera uma
série de experiências que devem ser apreciadas na vida.

20. Se transpusermos parte da última frase do texto – O lixo é
vosso: meus são estes metais que brilham – para o discurso
indireto teríamos: O motorista do caminhão 8-100 parece
dizer aos homens da cidade que:
A) o lixo era dele, mas aqueles metais que brilham eram dos
demais.
B) o lixo era deles, mas aqueles metais que brilhavam eram
dele.
C) o lixo era vosso, mas estes metais que brilham são meus.
D) o lixo era deles, mas estes metais que brilham são meus.
E) o lixo era vosso, mas aqueles metais eram dele.

21. “Muitos recebem com a mão suja os bens mais excitantes e
tentadores da vida”. Nesse segmento do último parágrafo o
cronista condena os homens:
A) indignos.
B) invejosos.
C) grosseiros.
D) orgulhosos.
E) incompetentes.

22. O título da crônica – O motorista do 8-100 – é devido ao
fato de esse personagem:
A) comportar-se como um funcionário municipal exemplar.
B) destacar-se dos demais por sua dedicação ao trabalho.
C) mostrar-se como dono de uma fé inquebrantável.
D) dedicar-se a seu caminhão como à sua família.
E) apresentar valores raros entre os homens.

23. O repórter do Correio da Manhã desempenha o seguinte
papel na crônica:
A) transmitir ao cronista um tema a ser meritoriamente
explorado.

B) mostrar ao cronista um exemplo de texto bem construído.
C) criticar as misérias de uma cidade grande como o Rio.
D) denunciar fatos negativos no dia a dia da cidade.
E) identificar para o cronista o valor de belas ações.

24. Abaixo estão pares formados por um substantivo e um adjetivo.
O adjetivo que mostra uma opinião do cronista é:
A) página inteira.
B) ruas esburacadas.
C) palavra preciosa.
D) estatura mediana.
E) servidor municipal.

3 Respostas to “Prova de Língua Portuguesa–FAETEC 2012.1 com gabarito”

  1. Bárbara 2 de março de 2014 às 22:25 #

    Olá! Desculpe, n consegui achar o ano dessa prova. Ela é de 2012 ou 2013? Muito obrigada.

  2. Luzia 7 de novembro de 2014 às 14:33 #

    Boa tarde gostaria de pedir o gabarito da atividade periodização literária + exercícios profª Simone Paulino. Desde já Agradeço.

  3. Carlos 5 de dezembro de 2014 às 22:14 #

    Pena que ja tem as respostas nas perguntas.

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